Estou à beira da morte... Um coma profundo, quase estado
terminal...
Enquanto agonizo, alguns homens, ditos grandes, movidos pela
soberba se apoderam do meu corpo, da minha alma.
Dizem ser os curadores, mas no fundo os conheço, são apenas
charlatães.
Deixam-me sangrar...
Nos tempos de outrora, fui grande, poderoso, me viam de
igual para igual.
Hoje, caído, moribundo... Sou mantido vivo apenas pela
esperança dos que me amam.
Eles sofrem... Choram minha quase morte, mas...
Deixam-me sangrar...
Agonizo, enquanto tento
o grito como última alternativa, mas a voz não sai.
Permaneço paralisado, num silêncio mórbido, esperando por um
socorro que não vem.
Eles, os que me amam, apenas olham e rezam... Perplexos... Impotentes,
diante de um quadro que parece não ter saída.
Se esquecem que meu símbolo mostra o caminho... Algo
grandioso...
Uma cruz de Avis que de nada lembra a morte... Sinal puro de
respeito, honra e glória.
Se esquecem e deixam-me sangrar...
O momento já passou, sei disso... Há muito devia ter
ocorrido, mas ainda é possível.
É preciso acreditar!
O Tempo é agora... Levantem e Lutem...
Libertem-me dos falsos moralistas... Falsos curandeiros... Falsos
Homens!
Quero voltar a viver como Grande... Como sempre fui.
Estanquem o sangue que escorre...
Salvem-me!

