Durante muito tempo da minha vida frequentei as cadeiras numeradas do estádio do Canindé, aliás, foi lá que aprendi a amar o futebol e principalmente a Portuguesa. Como muitos garotos, tive minha influência para passar a torcer pela Portuguesa. A grande maioria vai atrás do time do pai ou em poucos casos no da mãe. O meu foi um pouco diferente, se seguisse meu pai acho que torceria pelo “Bill Gates Futebol Clube” ou algo desse tipo, afinal, meu pai adora computador e não sabe nada de futebol. Nada mesmo!
Então quem foi o responsável por me dar tal “prazer”? Bom, foi meu avô e por muito tempo eu ia ali, do seu lado, nas cadeiras, onde sem dúvida se tem a melhor visão do campo, mas que também é fato, falta vibração. Na medida em que ia crescendo, foi me dando mais e mais vontade de descer e ver os jogos da arquibancada, junto da torcida, gritando e pulando. Sem dúvida que isso não demoraria a acontecer.
Passei a ir a alguns jogos chamados de “alto risco” como Palmeiras, São Paulo, Santos e Corinthians, sempre à paisana (imposição do vovô e da mamãe, tsc, tsc, tsc). Definitivamente eu não gostava, afinal, qual a graça de ir ao jogo e não demonstrar sua paixão, suas cores... Definitivamente eu estava errado e somente hoje sei disso, mas vai explicar para um garoto de 15 ou 16 anos. Na época, passei a ir aos jogos com meus primos, mais velhos que eu e sempre de camisa, com bandeiras para fora do carro, não importando o jogo e se éramos ou não minoria (quase sempre). Definitivamente coisa de garoto e como tudo na vida, um dia passa...
De lá para cá, nunca mais tinha ido para as cadeiras e todas as vezes que ia ao Canindé, meu avô subia para sua cadeira e eu e meu primo (desta vez um primo mais novo) íamos para a arquibancada, mesmo não ficando mais no meio da torcida organizada (outra coisa que deixou de fazer sentido para mim, mas respeito muito quem gosta) e meu avô ali, sozinho nas cadeiras.
Bom, hoje, plena terça feira, dia de aula... ops, aula? É, dei mais um balão, mas foi por uma boa causa, juro! Meu avô ficou quase 4 meses sem ir a um jogo (vida mansa, passa 3 meses em Portugal e 9 no Brasil todos os anos e não sabe mais o que é inverno) e me pediu com olhar triste no sábado quando chegou se eu iria no jogo. Eu até ia dizer que tinha aula, mas fazer isso com meu avô? Não podia! Então, lá fomos nós.
Dessa vez resolvi subir para as cadeiras com ele ou como costumo brincar com amigos, fui para a “torcida de açúcar”. Cheguei e fiz questão de registrar o momento...
... Aliás, foram dois momentos, pois ao nosso lado estava o fenomenal maestro (torcedor da Lusa fanático) João Carlos Martins que eu já tinha tido o prazer de cumprimentar algumas vezes, mas desta vez, com uma câmera na mão e um blog, resolvi registrar...
Bom, o jogo foi bom, até porque, o resultado foi 3x0 para a Lusa, mas mesmo sem a vibração da arquibancada, confesso que vibrei muito o primeiro gol, como poucos até hoje. Jogo truncado, muitas chances para fazer e a bola não entrava, um ou outro contra ataque do Goiás e que se não fosse a ruindade dos atacantes, podíamos até ter saído tomando o primeiro gol, um juiz e uma bandeirinha que pelo amor de Deus, ridículos... Foi então que no último lance do primeiro tempo, um bate rebate na área e a bola entrou, alívio total! Preciso ver o lance pela TV, porque na hora achei que estava impedido, enfim...
Depois, um segundo tempo morno e que só esquentou depois do segundo gol da Lusa, já passados 25 minutos. Aí, para sair o terceiro foi tranquilo. No final, 3 foi até pouco.
Apenas duas observações. Primeira, o Jorginho (técnico) tem coragem, mais uma vez deixou o time com apenas um volante (quando Ferdinando machucou e entrou Ivo) e meteu o time para cima. Segundo, como jogou bola o Luis Ricardo (atual lateral direito), só não fez gol, mas no quase ficaram uns 3, um deles, driblando o time inteiro do Goiás em diagonal, saindo da lateral. Ia ser uma pintura! Uma pena!
No final, o que ficou foi a sensação de ter passado um dia para recordar e guardar na memória, sem dúvida um dia especial e diferente!

Muito bacana esse texto! Legal demais vc ter a chance de ir ao estádio com seu avô e acompanharem juntos um momento especial da Lusa. E ainda encontrou com o grande João Carlos Martins. Coisas que só a Lusa proporciona.
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