Foram dois dias corridos, muito corridos e sem contar que na hora em que eu estava indo para o curso na terça, minha esposa me liga dizendo que está passando mal. Deve ter sido a azeitona da empada. Bom, se foi ou não a azeitona da empada eu não sei, mas foi forte. Resultado, iria para o curso e sairia antes para buscar a Bruna na minha mãe. Comprei o remédio, dei para a patroa e me mandei...
Era palestra do Dr. Marco Aurélio Cunha, atualmente vereador, mas que tem mais de 20 anos de experiência com futebol, onde logicamente passou a maior parte no São Paulo, mas também esteve no Bragantino (onde trabalhou no time vencedor com Luxemburgo e Parreira), Guarani, Palmeiras e Juventude com a Parmalat, Coritiba, Santos, Figueirense e em clubes do Japão. O assunto da palestra era a organização do futebol para que tudo aconteça bem no dia do jogo, ou seja, Planejamento e execução!
Começou explicando a relação do clube, dos jogadores e dos torcedores em Centro de treinamento e como fazia na sua época de gestor. Disse que passou a proibir a entrada no momento dos treinos e que as vezes deixava entrar quando via que não tinha problema (sem torcida organizada), mas que depois que um cidadão (que estava com a esposa) brigou com o Washington , passou a proibir e deixar sempre os profissionais distantes da torcida. Infelizmente por causa de um idiota, o resto é punido, como tudo nesse mundo.
Falou do planejamento semanal, com treinamentos específicos, com a definição dos titulares, da checagem dos cartões e da documentação dos atletas. Disse que cada jogo é um parto, principalmente em locais desconhecidos, pois toda a organização de viagem e de chegada ao estádio é vista e revista muitas vezes, pois tudo é feito para não atrapalhar a alimentação dos atletas e dar tempo adequado para chegar com calma no vestiário aquecer e entrar em campo sem correria. Contou inclusive que uma vez foram jogar no maracanã e o motorista perdeu (vai saber se não foi de propósito) a entrada no estádio e demorou mais 30 minutos para retornar. Resultado, correria total. Chegar, arrumar, aquecer rapidinho e entrar em campo. Rendimento Comprometido!
Como curiosidade, contou também que os jogadores levam o mundo para a concentração agora. É creme de todo o tipo! Comentou que o Chulapa levava a roupa que estava vestindo (uma camisa e uma calça jeans) e uma escova de dente no bolso e nada mais! Esse não dava trabalho extra aos roupeiros. Aliás, ele disse que esses são sem dúvida os que mais trabalham para um jogo dar certo!
Explicou como é feita a seleção dos hotéis e a marcação das viagens e que é imprescindível ter uma agência de turismo por trás para poder ajustar uma ou outra coisa em cima da hora.
Contou outra curiosidade, que hoje não existe mais, mas que na época era um problemão e que o treinador Carlos Alberto Silva pedia para fazer sopa em todo hotel que ia e que na hora de comer, deixava a sopa e proibia seus jogadores de comerem, pois podia estar “batizada”. Era a precaução da época...
Resumindo, disse que na visão dele não deve existir uma cartilha fixa que deve ser seguido por todos e que cada situação exige uma decisão diferente. Comentou que é contra juntar os calendários daqui com os da Europa, pelo simples fato de que lá, as férias dos jogadores são no verão e que aqui não fazia sentido ter jogo em dezembro e janeiro e parar no inverno. Disse que time de série B não serve para jogar na série A (que bom que escutei isso do presidente da Portuguesa na última reunião do Conselho) e por último, para os são paulinos de plantão, disse que tem um sonho de voltar ao São Paulo, mas desta vez como presidente, colocando sua forma de fazer gestão. Bom, é esperar para ver...
Durante tudo isso, fiquei 60 minutos sem informação do jogo e só depois disso veio a confirmação do primeiro gol da Lusa e na sequencia o segundo gol! Desta vez estava mais tranquilo, afinal, todos os outros times perderam. São 8 pontos de diferença para o segundo colocado. Eu juro que qualquer torcedor de outro time diria: “Já levou”, mas em se tratando de Portuguesa, por mais que acredite que esse ano vai mesmo, prefiro esperar...
Saí do curso, cheguei tarde pacas para pegar minha filha, fui dormir muito tarde e no dia seguinte estava eu às seis da manhã em pé para voltar para a federação. Era dia de acompanhar o “II Encontro de Executivos do Futebol”. Saí bem cedo e resolvi ir de metrô. Meu Deus! Como pode ter piorado tanto em 2 anos? Infernal! Demorei muito e sempre lotado! Pode ter trem novo, pode ter estações novas, mas não tem vazão suficiente. Ou fazem algo agora ou daqui a pouco ninguém mais anda de metrô também.
No encontro tinha gente de todos os clubes, inclusive Felipe Ximenes, Paulo Angioni, Paulo Carneiro, Cícero Souza, Ocimar Bolicenho, etc. Só não estava presente o Rodrigo Caetano (Vasco joga hoje) que deve ser o melhor executivo de futebol atualmente. Além desses, estavam Jamelli, Paulo Rink e Caio (gerente da Lusa e com o qual eu tive o prazer de conversar por um tempo sobre a minha Portuguesa) que foram jogadores e hoje são gestores. Umas 70 pessoas acompanharam o Encontro. Eu fui para escutar, apenas isso...
A idéia do grupo é criar uma associação que defenda os interesses desse novo grupo de profissionais que está surgindo (Depois passo o documento oficial). Ainda embrionário (apenas a segunda reunião), estão discutindo quem são os profissionais que poderão fazer parte dessa associação, quais características ou especializações devem ter, como o clube deve estruturar (proposta) seu organograma, etc. Achei a idéia fantástica.
Durante a manhã tivemos uma apresentação do presidente Luis Alvaro do Santos e foi uma palestra que mostrou tudo que eles (incluindo o grupo de empresários que está por trás do presidente) fizeram e conquistaram nesses menos de 2 anos na gestão do clube.
Contou um pouco da sua vida e da sua insatisfação com a Gestão anterior (que convenhamos era asquerosa mesmo) e sua decisão, juntamente com alguns outros executivos de disputar e assumir o clube. Disse que implementou um programa de Gestão de carreiras de jogadores, algo que não existe em nenhum outro clube.
Falou dos problemas ao assumir o clube, da falta de recurso, da necessidade de arrumar milhões em 48 horas (no dia que assumiu o clube), da necessidade de gerir o clube com preceitos de Governança corporativa, da alteração nos estatutos (democratizando) para não deixar na mão de apenas um a decisão e sim de um colegiado e principalmente acabando com os diretores estatutários e trocando por profissionais que viverão o clube 100% do seu tempo e se não tiverem bom desempenho podem ser demitidos (aprovado por unanimidade no conselho e por 91% da assembléia), sempre com uma visão transparente do que estava sendo feito. Comentou sobre o processo de agregar valor e deu o exemplo da venda do jogador André por um preço absurdo e mantendo as grandes promessas, do foco de investir na Base, da necessidade de investir em uma nova arena, mas sem perder/vender a Vila Belmiro... Enfim, senti uma pontinha de inveja. Um baita presidente e como ele mesmo diz, com muita sorte também...
A tarde tivemos a palestra dos advogados Paulo Reis e João Vergueiro explicando que o grupo precisa criar um estatuto e que de preferência deveria criar uma associação mesmo. Por último a palestra do também advogado Dagoberto Fernando dos Santos que é membro da câmara do Desporto do Ministério dos Esportes falando das mudanças da lei Pelé.
Como diz o título, UFA, acabou... Será? Acho que não. Amanhã levo minha máquina fotográfica para a aula. Teremos palestra de nada mais nada menos que... Carlos Alberto Parreira! Alguém tem perguntas? Fui... Escrevi demais hoje!
Cabral, sua frase sobre a Lusa reflete exatamente o que eu penso. Sinceramente, acho legal ler o pessoal nas listas demonstrando uma confiança que não é típica de torcedores do nosso time. Eu, do mês,o modo que você, não consigo.
ResponderExcluirAbs, Zé Mauro